A Universidade para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí (Unidavi) está prestes a viver um momento histórico. Pela primeira vez em 16 anos, a escolha do reitor será disputada por mais de uma chapa. Desde 2003, a instituição era comandada pelo mesmo dirigente, reeleito sucessivamente sem concorrentes. Agora, em setembro e outubro de 2019, a comunidade acadêmica — professores, funcionários e alunos — terá a oportunidade de analisar propostas distintas e definir os rumos da universidade para o mandato 2020-2024.
A Unidavi, fundada em 1970, é a principal instituição de ensino superior do Alto Vale do Itajaí, com sede em Rio do Sul. Oferece cursos de graduação presenciais e a distância em áreas como Administração, Enfermagem, Direito, Pedagogia, Engenharia Civil, entre outros. Ao longo de quase cinco décadas, formou milhares de profissionais que atuam no setor público e privado da região, contribuindo diretamente para o desenvolvimento econômico e social local.
Histórico de gestão
O período de 16 anos sob a mesma reitoria trouxe estabilidade administrativa, mas também gerou críticas quanto à falta de renovação e à concentração de poder. Mudanças recentes no estatuto da universidade passaram a exigir a apresentação de programas de gestão e permitiram a formação de chapas concorrentes. Essa abertura foi vista como um avanço na democratização interna, alinhando a Unidavi a práticas já adotadas por outras universidades comunitárias do estado de Santa Catarina.
Durante esses anos, a instituição enfrentou desafios como a expansão do ensino superior privado na região, a necessidade de investimento em infraestrutura e a adaptação às novas diretrizes do Ministério da Educação. A continuidade administrativa permitiu alguns projetos de longo prazo, mas a ausência de alternativas nas urnas gerou um debate sobre a vitalidade democrática da comunidade acadêmica.
O processo eleitoral
A eleição segue o modelo consultivo previsto no regimento interno. Uma comissão eleitoral foi formada em agosto para organizar o pleito e definir as regras. O voto tem peso diferenciado: professores representam 70% do total, funcionários técnico-administrativos 15% e alunos 15%. A votação está marcada para o dia 10 de outubro, das 8h às 20h, nos campi e polos de ensino a distância. Após a apuração, o Conselho Universitário referenda o resultado, podendo, em situações excepcionais, homologar outro nome.
A campanha eleitoral foi autorizada entre 15 de setembro e 10 de outubro. Durante esse período, as chapas promovem debates, visitas a departamentos e salas de aula, além de divulgar suas propostas em materiais impressos e redes sociais. A comissão eleitoral também organizou uma live para esclarecer dúvidas sobre o processo e garantir a igualdade de oportunidades entre os candidatos.
As chapas concorrentes
Duas chapas estão registradas. A primeira é encabeçada por um professor do curso de Administração, com experiência em gestão de projetos e parcerias institucionais. Sua plataforma central é a inovação acadêmica, a internacionalização dos currículos e a ampliação de convênios com empresas e organizações da região. A proposta inclui a criação de um escritório de projetos para captar recursos e fomentar a pesquisa aplicada.
A segunda chapa é liderada por uma professora da área de Enfermagem, conhecida por sua atuação na extensão universitária e em programas de saúde comunitária. Sua campanha prioriza o investimento em infraestrutura (laboratórios, bibliotecas, espaços de convivência), a ampliação da assistência estudantil (bolsas, moradia, alimentação) e o fortalecimento do bem-estar no campus. Ambas as chapas prometem gestão participativa, transparência orçamentária e diálogo permanente com os segmentos.
Expectativas da comunidade acadêmica
Entre os estudantes, a principal expectativa é a melhoria das condições de estudo: laboratórios atualizados, biblioteca com mais exemplares e horários ampliados, além de mais atividades culturais e esportivas. Muitos alunos também desejam maior aproximação da universidade com o mercado de trabalho, por meio de estágios e programas de empregabilidade.
Os professores esperam que o novo reitor incentive a pesquisa e a extensão, garantindo carga horária para projetos e acesso a financiamento. Também reivindicam mais autonomia pedagógica e canais efetivos de participação nas decisões acadêmicas. Já os funcionários técnico-administrativos querem valorização profissional, planos de carreira e melhores condições no ambiente de trabalho.
Importância da Unidavi para a região
A Unidavi é uma das âncoras do desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí. Seus egressos ocupam posições-chave em prefeituras, hospitais, escolas, escritórios de contabilidade e empresas de todos os portes. A universidade também mantém projetos de extensão que beneficiam comunidades rurais e urbanas, como atendimento jurídico gratuito, ações de saúde preventiva e capacitação profissional.
Além do campus-sede em Rio do Sul, a Unidavi possui polos de educação a distância em municípios como Ibirama, Lontras, Pouso Redondo, Presidente Getúlio e Taió. Essa capilaridade leva o ensino superior a localidades que antes não tinham acesso, contribuindo para a fixação de jovens no interior e a qualificação da mão de obra regional. A escolha do novo reitor terá impacto direto sobre a continuidade e o aprofundamento desse papel.
Desafios do novo reitor
Quem assumir a reitoria encontrará um cenário desafiador. O financiamento das universidades comunitárias depende de mensalidades, convênios públicos e projetos de fomento. Com a retração econômica dos últimos anos e os cortes no orçamento da educação, captar recursos sem comprometer a qualidade será tarefa central. Além disso, o novo dirigente precisará adequar a instituição às novas regras do MEC, especialmente no que diz respeito aos indicadores de qualidade (ENADE, CPC, IGC).
Outros desafios incluem: reduzir a evasão nos primeiros semestres, ampliar a oferta de cursos noturnos e a distância para atender trabalhadores, fortalecer a pesquisa aplicada orientada às demandas regionais e modernizar a gestão administrativa com ferramentas digitais. A sustentabilidade financeira de longo prazo também exige diversificação de receitas, como parcerias com empresas, programas de pós-graduação lato sensu e prestação de serviços técnicos.
Cronograma da eleição
- Agosto: Formação da comissão eleitoral, definição do regimento e calendário.
- 1 a 10 de setembro: Inscrição de chapas e registro de candidaturas.
- 15 de setembro a 10 de outubro: Período de campanha, com debates, visitas aos campi e divulgação de propostas.
- 9 de outubro: Último dia para propaganda eleitoral; reunião de esclarecimentos com a comissão.
- 10 de outubro: Votação das 8h às 20h nos campi e polos de EaD.
- 11 de outubro: Apuração e divulgação do resultado preliminar.
- Outubro/novembro: Homologação pelo Conselho Universitário.
- Janeiro de 2020: Posse do novo reitor para mandato de quatro anos, permitida uma recondução.
Perguntas frequentes
Quem pode votar?
Professores efetivos e temporários com vínculo ativo, funcionários técnico-administrativos concursados ou contratados há pelo menos seis meses, e alunos regularmente matriculados nos cursos de graduação e pós-graduação da Unidavi. Cada segmento vota em urna eletrônica ou cédula, conforme definido pela comissão.
Como é definido o resultado?
O voto é ponderado: 70% para professores, 15% para funcionários e 15% para alunos. O candidato mais votado em cada segmento recebe os pontos correspondentes. O Conselho Universitário referenda o nome mais votado, podendo, por motivo justificado e com dois terços dos votos, indicar outro nome. Esse poder de referendo é uma cláusula de governança prevista no estatuto.
Qual a duração do mandato?
O mandato do reitor é de quatro anos, permitida uma recondução por igual período. Portanto, o eleito em 2019 poderá, se reeleito em 2024, ficar até oito anos à frente da universidade.
Quando será a posse?
A transição está prevista para janeiro de 2020, dando tempo para a equipe eleita preparar o plano de gestão e o orçamento do próximo exercício.
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