No último sábado (11), o deputado estadual Jessé Lopes (PSL) fez uma publicação em sua página no Facebook afirmando que homens e mulheres gostam de ser assediados, que isso seria um direito das mulheres, que “massageia o ego”, que as mulheres conquistaram “todos os direitos” e que o feminismo só tirou direitos e “imbecilizou o comportamento” delas.

A publicação foi uma crítica à campanha de conscientização contra o assédio durante o carnaval “Não é Não”.

Não é a primeira vez que o parlamentar se envolve em polêmicas sobre o assunto. Em Maio, após a Assembleia aprovar um projeto contra a cultura do estupro, obrigado que sejam colados cartazes informativos nos órgãos públicos, o deputado Jessé Lopes usou a tribuna para criticar a medida.

“Se você quiser andar na rua com a sua sainha, com seu shortinho, com seu decote, ótimo. Se você quer chamar a atenção de estupradores, você sabe os riscos que está correndo. Se você se deparar com essa situação, lamento”, disse Jessé na época.

Publicação do deputado Jessé Lopes no Facebook
Imagem: Reprodução/Facebook

A campanha do coletivo “Não é Não” pretende distribuir tatuagens com essa mensagem no próximo carnaval em Florianópolis.

A campanha “Não é Não” surgiu no fim de 2018, no mesma período que a lei da importunação sexual foi sancionada. A lei determina que passar a mão sem consentimento, agarrar, beijar a força são ações que podem ser consideradas importunação e com penas que variam de um a cinco anos de prisão.

Em 2019 foram registradas em Santa Catarina, 624 ocorrências de importunação e 59 feminicídios.

Campanha "Não é Não!"
Foto: Reprodução/Internet

O Conselho Estadual dos Direitos da Mulher repudiou a fala do deputado Jessé e informou que vai buscar providências cabíveis através dos meios legais. Segundo o Conselhor, posicionamentos como o do parlamentar contribuem para o aumento da violência contra as mulheres e atrapalham a criação de políticas públicas efetivas de gênero.

A delegada Patrícia Zimmermann D’Ávila, coordenadora estadual da Delegacia de Polícia da Criança, Adolescente, Mulher Idoso (DPCAMI) afirmou que “se tiver aquele toque, emprego de força, podemos migrar o crime de importunação para estupro, isso é grave, O limite da cantada é quando a vítima diz não, a vítima bota o limite.”

Sobre o deputado

Jessé Lopes é natural de Criciúma, sul de Santa Catarina, tem 37 anos e foi eleito deputado estadual pelo Partido Social Liberal (PSL) em 2018 com 31.595 votos.

Está em seu primeiro mandato político. Em seu primeiro ano como deputado estadual, 2019, protocolou três projetos de lei. Um projeto para obrigar alunos da Udesc a fazer exame toxicológico, um segundo para permitir que agentes socioeducativos usem equipamentos de segurança e repressão e o terceiro para vender as residências oficiais do governador e da vice-governadora.